Procurando cinema na rede?

Tuesday, July 7, 2009

Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos


(Mujeres al Borde de un Ataque de Nervios, Espanha, 1988)

Recentemente me presentearam com o livro 1001 filmes para ver antes de morrer. Não só por estar listado, mas porque sempre tive a curiosidade, aluguei Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, filme que deu a Pedro Almodóvar a primeira indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - 1988.

Eu já tinha me acostumado ao Almodóvar de Volver, de Tudo Sobre Minha Mãe, de Penélope Cruz. Foi uma surpresa reconhecer a mãe de Penélope em Volver - Carmen Maura - como Pepa, a atriz de TV que tem sua casa invadida pela esposa e pelo filho de seu amante, pela namorada do filho e ainda por uma amiga que está às voltas com um terrorista. Tudo isso quando acaba de ser deixada por Iván, o amante.

Sinceramente, esperava mais risadas, mas as que o filme traz são das mais inteligentes e sarcásticas. Antonio Banderas como o filho do amante está uma graça. Um perfeito jovem sem jeito mas já um belo sedutor. Já a esposa traída Lucia (Julieta Serrano) é sem dúvida o ponto alto do filme.

Impossível não se sentir atraído, ou talvez incomodado, pela orgia de cores que Almodóvar traz à tela. Marca registrada do diretor, a hipérbole das atuações é em grande parte responsável pela comicidade do filme.

Assitir a esse trabalho é perceber de onde vem Pedro Almodóvar, e como ele transforma com o tempo os traços mais marcantes de sua arte.

Ps.: note quantas vezes Carmen Maura troca de roupa no filme. Rs.

Leia a crítica de Volver, por Marcelo Janot

Leia o comentário de Mulheres no Cine Players

Monday, June 8, 2009

Simonal - Niguém Sabe o Duro Que Dei


(Brasil, 2008)

Logo no início do documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que dei , Chico Anysio, um dos 25 entrevistados, fala ao espectador que tem pena de quem não estava vivo para ver Wilson Simonal cantar. Foi um ataque pessoal, no meu caso. Com meus 20 e poucos anos, sou da geração que hoje só pode admirar alguns dos maiores ícones da música brasileira de longe. Nem sequer podemos ter a perspectiva de um dia vê-los ao vivo.

É, de fato, encantador ver um artista tão talentoso reger um Maracanãzinho lotado sozinho, sem a ajuda de qualquer campanha de marketing, sem efeitos especiais, sem telões. Com sua voz macia e seu jeitinho pilantra (como ele mesmo batizou), Wilson hipnotizava desde multidões até pequenas platéias. Se o objetivo era nos apaixonar por Simonal, os três diretores acertaram em cheio.

Cláudio Manoel (ele mesmo, do Casseta & Planeta), Micael Langer e Calvito Leal criam toda uma atmosfera para nos apresentar a Simonal. A montagem ágil tem toques de reportagem jornalística, dando voz não só aos que amaram Wilson, mas também aos que o descreditaram, na figura do jornalista Sérgio Cabral. Cada um dos entrevistados foi enquadradado tendo ao fundo objetos e símbolos que o contextualizaram dentro da história cultural. Chico Anysio, é enquadrado com Charles Chaplin; Ziraldo entra em cena com o Menino Maluquinho; Nelson Motta forma um belo ângulo com a fileira de discos atrás de si.

Há hoje uma grande leva de novos filmes que resgatam a história musical do país tratando de queridinhos da música brasileira, como Vinícius de Moraes. Dentre eles, Wilson Simonal é um dos que de fato merecia um trabalho nesse sentido, para que fosse esclarecido o mal-entendido que acabou com sua carreira. O seu suposto trabalho como informante do Dop´s (Departamento de Ordem Política e Social, outro termo que está fora dos dicionários da minha geração), o baniu das rodas culturais e artísticas e, por fim, da mídia.

É nesse momento que minha geração tem contato com algo ainda mais valioso, que é entender como funcionava a mente de intelectuais e artistas no contexto da ditadura. Percebe-se que nem todos os oposicionistas do regime eram flor que se cheirasse e que a atmosfera radicalista fez vítimas inclusive da esquerda. Naquele contexto, ser alienado era crime passível de julgamento e condenação. Como foi condenado Wilson Simonal.

Fica claro o enorme valor deste documentário. Trazer às novas gerações como eu, um ícone popular como Simonal, é não deixar morrer a memória de um artista que influencia a musica brasileira até hoje. Um exemplo é Sá Marina, que a minha geração só chegou a conhecer através da gravação de Ivete Sangalo, foi grande sucesso na voz de Wilson Simonal.

Confira o blog da Meire Bottura, fã do cantor

Wednesday, June 3, 2009

Caloura de segunda mão



Olá,
a partir de Agosto quem lê este blog vai ter acesso a críticas e comentários mais elaborados, embasados e felizes, porque esta que lhe escreve acaba de ser aprovada no vestibular novamente!
Começo a estudar Cinema (até que enfim), no 2o semestre!!! =)

Abs!!

Thursday, May 28, 2009

Uma Noite no Museu 2


(Night at The Museum, EUA, 2009)

Hoje tive a sorte de ter o último horário na faculdade cancelado. Resolvi seguir direto para o trabalho, e no caminho tinha um shopping. Ora, porque não almoçar no shopping? Melhor ainda, porque não ver um filme na sessão do meio-dia?
Grande ideia! O filme era Uma Noite no Museu 2.

Só sinto por estar sozinha na sala, porque não tinha com quem rir. Quase chamei o projetista pra descer e assistir lá de baixo!

Uma Noite no Museu 2 é a continuação da história do Museu de História Natural de Nova York, no qual todas as peças ganham vida durante a noite graças a um artigo egípcio mágico. Seria bobagem se o filme se levasse a sério, mas não é o caso.

Nesta sequência, o ex-guarda noturno Ben Stiller é chamado ao resgate de seus amigos de cera que foram transferidos para um museu em Washington. Só que ele agora é um empresário de sucesso que não consegue parar de atender ao celular e não se sente mais feliz com o que faz. Daí entra a parte que não pode faltar em filme de hollywood: se eles não te falarem qual é o segredo da felicidade, o filme está fadado ao fracasso. É tipo uma lenda urbanda, mas enfim...

O museu em Washington é o maior do mundo, com tantas personalidades malucas quanto a história da humanidade poderia ter criado. Juntos, Napoleão, Darth vader, Al Capone e tantos outros vilões juntos lutam para trazer das trevas um exército que vai dominar o mundo.

Os roteiristas Robert Ben Garant e Thomas Lennon conseguem ligar personagens tão distantes e vindos de contextos tão diferentes pelo maniqueísmo do qual todas as culturas são vítimas. Os bons contra os maus é sempre uma opção segura. Porém, o bacana do filme são justamente as piadinhas acerca da visão que temos de cada uma dessas personalidades.

O ponto alto do filme, para mim, são os quadros e pop arts famosos ganhando vida e Abraham Lincoln levantando de seu trono.

Uma Noite no Museu 2 não é qualquer obra prima nem busca passar qualquer mensagem nova. Mas é um bom produto de entretenimento, que pode ser uma boa pedida no horário do almoço ou numa sessão com amigos no fim de semana.

Wednesday, May 20, 2009

Os mesmos blockbusters



Esta semana me convenceram a assistir os dois blockbusters em cartaz, X-Men Origins Wolverine e Anjos e Demônios. Os dois parecem não ter nada em comum em termos de enredo e gancho narrativo, mas suas bilheterias não deixam de depor a favor de suas semelhanças.

Blockbusters o são por motivos não tão variados. O primeiro deles é o maniqueísmo do enredo. Há sempre um vilão e um mocinho. Eles não possuem nenhuma característica em comum e o mocinho sempre (sempre mesmo) vence. As cenas devem provocar o choque, seja por efeitos digitais, explosões, sangue jorrando ou pela correria contra o relógio. Sem elas, não existe um filme arrasa-quarteirão.


Também a trilha sonora dos blockbusters deve instigar a tensão, provocar expectativa, causar comoção e/ou susto. Sem músicas em tom de suspense crescente também não se tem um filme de grande bilheteria. E, finalmente, para fechar a receita, coloque dois ou mais atores minimamente conhecidos e um extremamente famoso. You´ve got yourself a hit!

Não sou contra blockbusters, nem anti-americana ou qualquer um desses clichês de rebeldia, mas depois que se assiste Fellini, Almodóvar, Hitchcock ou qualquer outro diretor e roteirista um pouco mais sofisticado, fica difícil apreciar filmes tão previsíveis.

Se você ainda tem espaço no repertório para mais uma história de herói contra vilão, mocinha sendo salva a segundos de uma tragédia e final totalmente conhecido, vá ao cinema mais próximo. Qualquer sala. Vai estar passando lá.

Veja no Críticos.com - Anjos e Demônios

X-Men Origins Wolverine - site oficial

Tuesday, May 19, 2009

Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada



(Dan in Real Life, EUA, 2007)

A primeira vez que assisti a Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (mais um título em português que estraga o contexto do filme), acreditei estar frente a um belo filme sobre os valores reais da vida. O protagonista é um desacreditado que é tomado de surpresa por acontecimentos que o fazem dar valor ao que tem. Sempre bom ver esse tipo de filme, só pra elevar um pouco que seja o otimismo.

Porém, um ano depois, aluguei o DVD para ver novamente. E o encanto desapareceu. Steve Carell convence fora da comédia pastelão, mas ainda nos faz rir em momentos inapropriados. Juliette Binoche é mesmo maravilhosa, mas fica à vontade até demais, e se perde da legitimidade de uma situação embaraçosa (que é a do filme).

Além disso, qualquer um concordará que não existe um encontro de família tão tranqüilo, divertido, feliz e leve como aquele mostrado no filme. Simplesmente não é real, e todos sabem disso. Até que seria ótimo, mas não. Não cola.

Dan in Real Life tem os seus méritos, claro. É uma história gostosa de assistir, com tiradas geniais de humor. Afinal, percebi que talvez eu tenha levado o filme muito a sério da primeira vez. Ou talvez o próprio filme é que se leve a sério demais.

Dan in Real Life

Alugue pela internet

Assista ao trailer

Tuesday, May 5, 2009

Mostra Documentários de Busca no Cine Humberto Mauro



Começou ontem no Cine Humberto Mauro a mostra Documentários de Busca, que vai apresentar até o dia 12 de maio, terça-feira que vem, quatro documentários brasileiros.

Os escolhidos retratam uma fase de assimilação por parte dos documentaristas brasileiros de uma tendência mundial do cinema de documentário: o universo pessoal do realizador (es) assumindo papel de destaque na narrativa.
Para a mostra do Cine Humberto Mauro, os representantes desse recorte sobre o cinema brasileiro são:

Um Passaporte Húngaro, de Sandra Kogut;
33, de Kiko Goiffman;
Edifício Master, de Eduardo Coutinho;
e O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento.

A mostra está sendo realizada com o apoio da Programadora Brasil, uma distribuidora de filmes brasileiros com mais de 300 títulos disponíveis em acervo para suprir,especialmente, as demandas de cineclubes e locais de exibição sem fins comerciais.

Evento: Mostra Documentários de Busca – Programadora Brasil
Local: Cine Humberto Mauro
Data: 4 a 12 de maio
Entrada Franca
Balcão de Informações: (31) 3236-7400.
O Balcão de Informações funciona das 14h às 21h

Confira a programação completa da mostra